terça-feira, 30 de agosto de 2011

Em tarde dramática, Vasco, mesmo roubado mais uma vez, deixa urubus calados

Foi uma atuação segura e madura.

Talvez com uma dose a mais de ansiedade que nos impediu de vencer o marrento rival. (E digo isso sem me reportar ao pênalti não assinalado nos segundos finais que seria a chance máxima de transportar nossa superioridade em campo para o placar.)

Fomos valentes.

Inteligentes e organizados.

Nossos erros eram previsíveis: alguns arremates imprecisos, certa indecisão na zaga e queda de rendimento físico de alguns titulares.

Entramos sem Anderson Martins (negociado para o Catar). Julinho sentiu e o técnico optou pela defensivo Jumar, deixando Marcio Careca no banco. Conclusão: atuamos com um lado esquerdo incomum.

A preocupação era com o tal do R10, o dito cara decisivo, o atleta mais badalado da atualidade no país.

Mas Ronaldinho Gaúcho fez uma partida comum. Deu um bom passe logo no começo para Léo Moura, se mexeu bem, mas a marcação foi acirrada todo o tempo e a atenção foi total do início ao fim.

Faltas? Nenhuma que assustasse. Conclusão com bola rolando? Traço no scout.

Arrancadas, dribles desconcertantes, liderança? Nada disso.

Enquanto isso, de nossa parte, Juninho deixou a torcida adversária apreensiva em diversos momentos. Só de falta, uma que passou perto e outra que carimbou a trave.

Escanteios precisos em três ocasiões foram parar em cucas vascaínas e Felipe teve de salvar. E em uma investida na área pouco antes de sair, ele conclui mas é travado.

Analisando os dois conjuntos, fomos melhores em todos os setores. Apenas nosso goleiro quase não foi testado.

Fágner - apesar do cartão levado na etapa inicial - foi um cão de guarda atento.

Falar de Dedé é perda de tempo: jogou com a máxima seriedade e foi soberbo.

O que dizer de Renato Silva que começou inseguro, mas que soube reverter esse quadro, perfazendo um restante de jogo bem razoável?

Jumar - que também ganhou cartão na mesma fase - foi muito bem (mesmo com duas bobeadas).

Romulo cometeu seus pecados nos passes, mas foi um marcador implacável.

Eduardo Costa talvez tenha sido o pior de todos, mas nem por isso foi ruim.

Juninho foi brilhante nas bolas paradas e sereno na armação. Em um jogo brigado no meio, soube manter a calma e cadenciar bem as jogadas. Mas cansou como sempre, o que não chega a ser surpresa.

O substituto do Reizinho foi Leandro que só por ter sido colocado no meio já prova que se apresenta em melhores condições atléticas e mais preparado para uma partida de tamanha importância. Correu, procurou armar e atacar. Mas não chegou a se destacar.

E Diego Souza? Esse cara é uma incógnita. Mensurar sua atuação é trabalho quase impossível, pois consegue oscilar a cada jogada.

Por diversas vezes dominou a bola com maestria de costas pro gol, dando prosseguimento no momento certo à jogada. Porém em outras oportunidades, com a bola dominada de frente pro gol, em uma delas cometeu falta boba e na outra demorou a decidir o que fazer com a bola, se chutar ou passar.

Mas sua tranquilidade em um duelo nervoso como o de domingo foi digna de elogio. E jamais fugiu da responsabilidade enquanto teve pulmão.

Após pequena indecisão do auxiliar Cristovão - que àquela altura já comandava o time à beira do campo - entre colocar Allan ou Bernardo, este último foi o escolhido. E fez bem seu papel sendo o protagonista da jogada que poderia mudar a história do confronto em seu derradeiro instante: após receber passe longo na área, ele ginga sobre Léo Moura que lhe dá um rapa, uma estupenda rasteira. Pênalti claro não assinalado.

Éder Luís parece estar voltando à forma - o que é muito bom. Não brilhou, mas cumpriu bem sua missão de sempre incomodar o adversário sem desperdiçar ataques.

Alecsandro fez um belo jogo, abrindo espaços, aparecendo na área em alguns momentos, arrematando e brigando na marcação. Mas cansou e teve de sair.

Elton deu continuidade à atuação do titular: buscou jogo, chutou a gol (a seu estilo) e brigou muito.

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"Há coisas que só acontecem ao Botafogo, ao Vasco e a mim..."

É pessoal... Ricardo Gomes acabou passando mal durante o jogo. Mal não. Muito mal. Jamais isso havia acontecido em uma partida de futebol do Vasco, daí eu lembrar da frase popular (sem autor) que ouvi da boca de Luiz Mendes que disse ser uma frase comum lá nos idos do fim dos anos 30 e início dos 40.

Na atualidade, dizem apenas a frase "têm coisas que só acontecem ao Botafogo...", mas naquela época, cotidianamente, os indivíduos que se diziam azarados a utilizavam da forma como registrei acima, pois após o título carioca de 36, o Almirante (assim como o Glorioso) viveu um momento de seca (e de azar) no futebol carioca.

Desse modo, os indivíduos desprovidos de sorte no dia-a-dia realizavam essa referência aos dois clubes "azarados" para contar os dissabores que os acometiam.

Foi graças ao Expresso da Vitória que o Vasco se livrou desse estigma.

Mas o acontecimento da partida de ontem me fez recordar o velho dito, principalmente, porque fui  testemunha in loco daqueles momentos de preocupação que mexeram de forma tão intensa no emocional dos atletas e dos torcedores cruzmaltinos que estavam presentes no Engenhão.

Enquanto isso, do outro lado, os mulambos tentavam tirar vantagem daquela situação para reverter o quadro de inferioridade que o Vasco havia imposto a eles.

Lastimável.

Pior que isso, só a penalidade máxima ignorada pelo árbitro.



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